sábado, 5 de dezembro de 2009

No Twitter!

Sim, estou no twitter, muito mais por curiosidade do que vontade, e já de entrada me decepcionei, meus pensamentos e palavras vão muito além de 140 caracteres, ja cheguei querendo sair, tive que cortar e recortar até concluir uma frase, porque ele faz tanto sucesso?
"Os tais 140 caracteres refletem algo que já conheciamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido."
José Saramago
Se quiser me siga lá...
** twitter.com/KellyCasttro
Abraços >_<

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

"No labirinto das Palavras"

"A flecha deixa de pertencer ao arqueiro, quando abandona o arco; e a palavra já não pertence a quem a profere, uma vez que passe dos lábios."
(Heinrich Heine)
Já estou pensando sobre o que escrever por vários dias, muitas são as idéias e poucas as palavras, é incrível como não consigo expressar o que realmente estou pensando e sentindo, ainda que eu domine a nossa língua, que conheça verbos, adjetivos, substantivos, pronomes e afins, que tenha o Pai dos Burros enfiado em alguma gaveta, ter todas as ferramentas, não está sendo suficiente.
Hoje estou nesta encruzilhada já tem 2hs, estou na frente do PC com as mãos na posição, começo e apago, por repetidas vezes, tento agarrar as palavras flutuantes da minha mente, quero montar esse quebra cabeça que parece ter vida própria e insiste em não se encaixar, como isso é cansativo.
Luto para alcançá-las, leio e releio enquanto se mexem frenéticamente, mordo a língua na ação do verbo, algumas se soltam, outras se partem e com grande esforço as domino, acumulo paciência para coloca-las em ordem para depois, com alívio, espalhá-las ao vento, desejando que encontre mentes que sabem e compreendem sua importância.
Eu não as despediço, sei o preço de cada palavra e de como é precioso o ignorado silêncio, então, falo o necessário quando é necessário, digo pra quem quer ouvir, me calo diante de quem não entende e escrevo, na falta de idéias, no excesso de sentimentos, sempre perdida no labirinto das palavras, a recompensa ? É a conclusão desse pequeno texto.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

"Dias de Chuva"


Eu amo dias de chuva, os amo tanto que por mais que faça frio o meu coração fica aquecido, como em um abraço carinhoso, me sinto extremamente confortável, a claridade acinzentada, os arrepios, as gotas escorrendo pela janela, o silêncio quebrado pelo som da água caindo... Ah! como gosto de contemplar essa paisagem pela minha janela, me sinto totalmente envolvida e tudo, qualquer detalhe para mim sempre é uma doce novidade.

Normalmente as pessoas não gostam de dias de chuva, ficam incomodadas e irritadas, o trânsito fica ruim, o ônibus lotado aborrece ainda mais, os pés ficam sempre frios, não sabemos o que fazer com guarda chuva molhado, carros espirram lama em quem der mole, e eu compreendo, porém, para mim, dias de chuva significam muito mais do que suas consequências, sinto-me tocada pelo sentimento de paz, sinto-me lavada quando ela cai, sinto-me grata, sinto-me abençoada.

Trabalhei por anos seguidos, um trabalho que após algum tempo se tornou muito cansativo, e nos dias de chuva sempre parava perto de alguma janela e a contemplava, alguns segundos eram suficientes para me animar a continuar trabalhando, quando pegava o ônibus, me sentia bem mesmo em pé, espremida entre tantos estranhos, só de vê-la escorrendo pela lateral da janela, os desenhos formados pela água espalhada pelo vento, era o suficiente para me absorver e me fazer aguentar mais uma hora em pé, é realmente estranho.

Mas, porque gosto tanto? Talvez seja porque em meu coração sempre chova ou talvez porque em dias de chuva eu olhe para dentro de mim com olhos de verdade, talvez porque me lembre de algo ou então, por ser de uma familia de trabalhadores do campo, a respeito pelos beneficios que traz para a terra e a natureza, talvez não seja nada disso, talvez, eu apenas goste, apenas aprecie, apenas veja beleza em cada gota, na poça, nas sombrinhas compartilhadas, nas folhas balançando agradecidas, no céu inteiro pintando do mesmo tom de cinza, que só percebo nos frios dias de chuva.


"Assim como desce chuva e a neve dos céus, e para lá não torna, mas rega a terra, e a faz produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca: ela não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a enviei."

Isaias 55:10-11

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

"Meus Momentos"






Esses dias meu irmão ganhou um filhote de cachorro, sabe, filhotes aqui em casa não são anormais, temos um quintal imenso e sempre tivemos muitos cachorros, ele deve ter uns dois meses e é realmente adorável, é todo bege com focinho preto e patas brancas, e como o vira-lata ganhou o nome de um personagem de desenho animado que eu e meu irmão gostamos, aliás, eu que sugeri o nome, acho que isso significa que eu gosto mais, bem, vamos deixar pra lá.

Mas o que quero relatar é que eu não me lembro sobre o que pensava há alguns anos atrás quando observava nossos animais, apesar de não assumir os compromissos que eles traziam (e isso sempre gerar muitos conflitos), eu os amava, sentia, mas não prestava atenção, e olhar o filhote distraído, mordiscando os dedos dos meus pés enquanto estudo para minhas provas, me despertou uma grande curiosidade que me fez pausar um pouco para escrever.

Esforçei-me para lembrar como foi quando me apaixonei pela primeira vez, o que senti quando terminei com algum namorado, como eu era como aluna no primário, como me comportei a primeira traição de um amigo, o porque de ter repetido o ano na escola, quando decidi começar a trabalhar e percebi que todas essas situações passaram como o vento, algumas vezes suave como uma brisa, outras, como um furacão levando árvore e vacas, passaram e eu apenas me agasalhei ou arrumei a bagunça.

Todos nós temos algo que gostamos, digo, em termo de sabor, quando minha mãe ou eu faço algum de meus pratos favoritos, eu não como, eu devoro como se fosse minha última refeição e quando acaba sempre fico com aquela sensação leve de arrependimento, de que deveria ter aproveitado mais, sei que se comesse devagar não esqueceria tão rápido o gosto, sim, o gosto, porque o que fica na minha memória é a sensação de satisfação, mas o gosto? Tenho que comer de novo para me lembrar, e é por isso que balança é a minha inimiga declarada já à algum tempo.

Eu percebi que o mesmo acontece com relação a minhas experiências, as vivo com tanta intensidade que logo esqueço do seu valor e de como acrescentam, se são ruins, fecho os olhos com força torcendo para que o sofrimento acabe rápido, se são boas, as devoro com avidez e quando vejo já acabou, sempre me questionei de porque os momentos tristes serem longos e os felizes curtos e me dei conta de que é porque eu não os saboreio, se saboreasse veria que o amargo não é tão ruim quando misturado com outra coisa, se saboreasse veria que o delicioso fica ainda mais delicioso quando mastigado devagar.

Se tivesse me dado conta disso antes, teria aproveitado mais o meu primeiro beijo, o que não o fiz (eu fiquei tão nervosa que congelei, o empurrei e corri), teria feito diferente na traição do amigo, porque saberia que estava sendo egoísta em considerar apenas os meus sentimentos (o que não percebi e levei anos para perdoa-lo), teria me divertido mais naquele lugar, teria sido mais maleável em minhas decisões e tantas outras coisas, na maioria das vezes me portei como uma tola, não poderei nunca mais voltar atrás.


"No dia da felicidade, sê alegre; no dia da desgraça, pensa; porque Deus fez uma e outra, de tal modo que o homem não descubra o futuro."


Eclesiastes 7:14


Deus me permitiu viver até aqui, dias de felicidade, dias de desgraças, fez ambos para que eu seja forte no futuro, nem sempre fui alegre, nem sempre pensei, não saboreei os meus momentos, já esqueci de coisas que não deveria, fechei meus olhos quando deveria mante-los bem abertos, porém, com esse fofo filhotinho dormindo nos meus pés, confortável e alheio ao mundo, percebi que ainda não é tarde.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Porque você é evangélico?





Em um dia desses estava assistindo a um programa de televisão, onde o apresentador fazendo entrevistas a pessoas comuns perguntou a um jovem a sua religião e ele muito calmamente disse: - Sou evangélico! E o apresentador perguntou: Porque você é evangélico? O rapaz, falou sobre sua esposa ser evangélica, sobre começar a frequentar a igreja e a identificação com a religião, e finalizou com um "Estou onde deveria estar e estou bem com isso."

Eu na hora fixei meus olhos na entrevista e ansiosa esperei por sua resposta, porém, me frustrei com sua declaração, então me imaginei na mesma situação e tentei elaborar respostas, todas que imaginei fluíram como se eu estivesse em um púlpito dando um saudação pomposa, recheada de versículos bíblicos, referências históricas e tudo mais, quase uma pregação, mas, voltando a realidade, com certeza, se estivesse no lugar dele, acuada por cameras, me conhecendo bem, tomada por minha timidez daria uma resposta gaguejada e tão cautelosa quanto a dele, então, comecei a me questionar: Porque sou evangélica? E por incrível que pareça, eu não tinha uma resposta.

Percebi que minha resposta se perdeu em qualquer esquina da minha caminhada no evangelho e fiquei envergonhada, então, decidi me despir de meus conhecimentos e busquei no fundo do meu coração a resposta para essa questão e para isso, precisei refazer minha trajetória, me lembrar da história de minha família, da minha conversão, do momento exato em que decidi entregar minha vida a Cristo, o que senti? O que pensei? O que me levou a essa decisão que mudou a minha história?

Minha avó se converteu quando já tinha constituído família, era uma católica fervorosa, porém, se decepcionou com a religião escolhida e neste mesmo período participou de um culto e aceitou a Jesus, seus filhos, durante a infância, caminharam com ela, porém, na transição da adolescencia para a juventude saíram do interior e vieram tentar a vida aqui no Rio de Janeiro e consequentemente se afastaram da igreja, minha avó viu isso acontecer com um por um e permaneceu com fé orando, crendo no retorno de seus filhos para os caminhos do Senhor.

Com minha mãe não foi diferente, se afastou da igreja, veio para o Rio, aqui constituiu família, mas nunca perdeu o temor e sabia que uma hora teria que atender ao chamado de Deus, tínhamos um família evangélica como vizinhos e eu sempre percebi a diferença na vida deles e desejava ir pra igreja também, minha mãe nunca permitia, porém, quando teve uma festa na igreja, ela foi convidada a participar e levou eu e meus irmãos ao culto, eu tinha uns 4 a 5 anos e me lembro desse dia, a cada louvor entoado eu chorava, não choro de pirraça, mais sim aquele choro baixo e comovido, a festa era para comemorar um encontro de corais, então eu chorei praticamente o culto todo e consequentemente minha mãe brigou comigo durante todo trabalho.

Quando eu já tinha 11 anos, fui na igreja que minha tia frequentava e vi minha mãe aos prantos se reconciliar com Cristo, ela voltando e nós, seus três filhos conhecendo aquele mundo novo, e após algum tempo, já tendo se familiarizado com a mesma igreja que visitei quando era mais nova minha mãe se recordou do que contei acima, ela me disse: Você, chorava baixinho, quase como se estivesse sentida com algo, quando não havia louvores você parava, eu briguei com você, porque todos a volta perceberam isso e queriam te levar lá pra fora, eu não compreendi que o seu choro era provocado pelo toque do Espírito Santo, você já era escolhida por Deus, Ele já estava agindo em sua vida, mesmo comigo afastado da Casa de Deus!!

Me lembrando disso, a tão procurada resposta fluiu em meu coração, talvez você que está lendo esse texto, pense que é arrogância da minha parte me declarar "Escolhida por Deus", porém, Deus chama a todos, Ele tem toda a humanidade como seus filhos queridos, Ele pacientemente aguarda nosso retorno aos seus braços e não interfere nas nossas escolhas, hoje sei que Ele me chamou e eu decidi responder ao seu chamado. Hoje sei que sou evangélica não porque minha mãe o é, ou porque me sinto bem, ou por amizades mas sim porque sempre tive sede de Deus, em meu coração havia um vazio do tamanho D'Ele, meu coração ansiava por sua presença.

Antes para mim Deus era um Ser que se devia referência e respeito, que estava sempre muito ocupado para olhar pra mim e no inicio de minha conversão Ele me foi mostrado de outra maneira, conheci um Deus que se importa comigo, que esta comigo aonde quer que eu vá ou esteja, sinto sua presença como um amigo confiável que mesmo sem palavras me conforta, que me conhece desde antes de ser gerada e me aceita como sou, ao pensar sobre essas questões me vejo despertar de meu comodismo religioso.
"Tens perseverança, e por causa do meu nome sofreste, e não desfaleceste. Tenho, porém contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te de onde caíste! Arrepende-te, e pratica as primeiras obras..." Apocalipse 2:3;4;5a
Quantas pessoas não escutam ao chamado de Deus ou então estão acomodadas em sua opção religiosa e se esqueceram o motivo de suas conversões, o porque das suas escolhas, temos o privilégio de ser amados por Deus, seu grande amor foi demonstrado no sacrifício de Jesus na cruz pelos nossos pecados, permita-se ser alcançado por esse amor e veja como este ato pode mudar sua história, não corra o risco de dar uma resposta evasiva, seja para si mesmo ou a um apresentador de televisão.


Obs.: Escrevi esse texto em 30/04/2006.












terça-feira, 25 de agosto de 2009

"Eu cheguei..."


Resolvi criar um blog, realmente não sei se será visitado e também não sei se postarei sempre, não me importo e também não prometo, porém, aqui quero mostrar quem sou e quem sabe, libertando o que está dentro de mim, descubra as resposta que me faltam, então tomarei emprestado as palavras de Clarice Linspector: "É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto, como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo."