segunda-feira, 16 de julho de 2012

" A arte de perder"


“A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.

Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.

Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.

Perdi duas cidades lindas. E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.

– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça (Escreve!) muito sério. ”

Elisabeth Bishop
 
* Ouvi a leitura desse poema em um filme e fiquei imensamente tocada, realmente "a arte de perder não é nenhum mistério", todos os dias perdemos coisas infímas e outras tantas grandiosas, algumas perdas passam despercebidas e outras tantas nos levam pedaços da alma e no final, sempre sobrevivemos, é incrivel, mas, nós sobrevivemos...