sábado, 3 de novembro de 2012

Lição: "O Amor"




Já li muitos textos de amor, alguns incrivelmente lindos e inesquecíveis, outros doces e fofos, alguns tristes e amargos e outros um tanto insossos e todos eles me inspiravam a escrever a minha visão sobre o amor, e eu sempre começava a redigir um texto, porém, nunca fui capaz de concluídos, minha visão sobre o amor sempre acabava largada em uma gaveta ou em uma pasta qualquer do meu computador.

Isso sempre me frustrou, não ser capaz de falar sobre o amor, de descrevê-lo, delineá-lo com os olhos do meu coração me machucava, com o passar do tempo isso começou a me incomodar, e eu cheguei ao ponto de acreditar que o amor não estava  no meu coração, cheguei a acreditar que o amor ainda não tinha me visitado, e eu, na minha imaginação fértil via meu coração como uma terra escaldante, árida, estéril, um coração deserto.

Por muito tempo essa foi a minha verdade ou mentira, não sei bem dizer,  eu desisti, desisti muitas vezes e de várias maneiras, desistir se tornou minha rotina, desistir de tentar, de acreditar, de esperar, de oferecê-lo, de recebê-lo, eu afirmava com os meus botões: o amor não existe, é algo inventando para ocupar nosso tempo! EU TE AMO! Não existia no meu vocabulário, quando falava com entes queridos era aquele JHEU KJTE PAMTO! Entende? Como se tivesse pedras na boca, saia pesado e grudento.

Então, Deus me mostrou que o amor existe, eu tive a mais bela experiência da minha vida e foi quando eu aceitei o amor de Deus por mim, juro, sou cristã a muito tempo e tinha dificuldades de compreender um Deus que enviou seu único filho pra salvar toda humanidade, compreender também um filho obediente que se entregou sem reservas e obedeceu ao plano de seu Pai sem discutir, ainda que fosse doloroso e difícil para ele, ele renunciou a sua vida e morreu pensando em todos, o sangue derramado foi para pessoas em todas as épocas, séculos, anos, a remissão dos pecados do passado, no presente e do futuro e tudo para que tivéssemos livre acesso ao Pai,  e eu estava incluída nesse plano, eu que ainda nem sonhava em existir, eu vivi, aceitei e fui preenchida pelo amor de Deus e UAU! Eu vi o meu deserto se tornar a mais incrível e fértil floresta, com águas e vida em abundância, fui transformada.

Enfim, a primeira lição que precisei aprender foi conhecer o amor, após conhecê-lo e aceitá-lo veio a segunda lição, e Deus usou os meus amigos, passei por algumas coisas chatas e tristes e aprendi a receber o amor de pessoas estranhas, que moram em lugares distantes, que me amam e me aceitam como eu sou, que não ligam sempre, me visitam quando dá, o que é quase nunca, mas, estão sempre por aí, e, eu sei, e só o saber me preenche, eles existem! Quando a angústia veio eu descobri meus irmãos e irmãs de alma, pessoas que se importam comigo sem pedir nada em troca, tantos gestos, tantas palavras, tantos abraços, choraram minha dor segurando minhas mãos e me olhando nos olhos, sentiram minha falta, só de me lembrar meus olhos enchem de lágrimas, e eu aprendi a ser amada.

E então, Deus em sua infinita sabedoria disse: Passemos para a próxima, ela conheceu e aceitou o amor, aprendeu a recebê-lo, agora vai aprender a dá-lo!!! Ahhhh, essa lição foi ainda mais dura, juro, eu pensei que não ia conseguir, amar alguém sem esperar por nada, tem noção? Cuspir as pedras e visgos e aprender a dizer: EU TE AMO! do fundo do coração e com toda verdade sabendo que poderia não ser recíproco? Nada de terreno seguro, rodeada por inconstância e dúvidas e eu, vivendo tudo isso e amando sinceramente! Foi difícil, mas, eu passei, ficaram muitas feridas, mas, aprendi o mais belo do amor: ele não vê defeitos, status, qualidades, o tempo, dinheiro ou bens, ele vê apenas a pessoa a quem é direcionado e aceita, envolve, deseja, se entrega, cuida, perdoa, renuncia e quando chegou o fim, do fundo da minha alma eu queria o bem e a felicidade do outro, hoje consigo olhar para trás e tenho orgulho, porque superei algo que era impossível para mim, pude ser eu mesma, abrir meu coração, entregar o meu melhor e sair sem arrependimentos, na minha derrota aprendi preciosas lições.

Hoje refletindo sobre tudo isso percebo o quanto estava enganada, o amor que eu via era o amor fantasioso e elaborado em filmes, revistas e livros, o amor idealizado por outras pessoas e assumidos como o certo,   o amor ensinado no mundo é cheio de falhas, inconsistente, fraco, substituível, o amor verdadeiro passa longe disso e eu estava perdida em um limbo, entre essas duas realidades, ainda bem, que eu quis conhecê-lo e ele se apresentou para mim, não serei hipócrita, o amor verdadeiro dói e muito, mas, não existe nada mais doce do que tê-lo no coração, afirmo que vale a pena pagar o preço.

E concluirei esse texto que fala da minha introdução no assunto com o mais belo texto já escrito sobre o amor, hoje eu sei, compreendo e sinto cada palavra, e acho, que Paulo escreveu esse texto quando se graduou na lição AMOR, eu ainda tenho um longo caminho pelo frente, ainda me falta muitas coisas e espero que daqui para frente, em cada prova que eu tiver, que eu relate com muita beleza e doçura o que hoje transborda no meu coração!

"Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine.
Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, mas se não tiver amor, nada serei.
Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser queimado, mas se não tiver amor, nada disso me valerá.
O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.
Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor.
O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor nunca perece; mas as profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará.
Pois em parte conhecemos e em parte profetizamos;
quando, porém, vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá.
Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino.
Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido.
Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor". 
Paulo - 1 Coríntios 13:1-13