quinta-feira, 30 de maio de 2013

"O desafio do tempo"


Estava ainda pouco me lembrando de minha percepção do tempo na minha infância, me deliciei recordando que um dia era o suficiente para fazer tudo o que eu queria, uma semana era longa demais, um mês era bastante tempo, um ano era uma eternidade, imaginar como seria aos 20, 30 ou 40 era divertido, na infância eu tinha o domínio do meu mundo e tudo era possível e fácil de se conseguir, na infância eu ria projetando minha vida adulta com a certeza de que seria hiper bem sucedida, eu gargalhava com facilidade, tinha muitas esperanças e os meus olhos eram brilhantes e cheios de vida.
E hoje como adulta, analisando a minha percepção de tempo concluo que um dia não é mais o suficiente, uma semana é um prazo curto, um mês é um tempo razoável, um ano passa rápido e que eu já não tenho mais tanto tempo assim, essa é a realidade da maioria das pessoas e ao amadurecer estou vivendo a quebra da ilusão de que não tenho nenhum domínio sobre o meu mundo, a realidade é difícil, dura e contraditória, lembrando do que eu me imaginava ao 30 é engraçado e frustante, pois não consegui nem 1/3 do que eu idealizei e sinto essa incomoda urgência de que o tempo é algo de luxo que eu já não tenho mais.
Como vivi todos esses anos, o que fiz até agora e o que construí com minhas mãos são questões sem respostas, essas indagações são irritantes e deploráveis porque trazem a tona o que eu não fiz, eu desperdicei e perdi tempo, um dia tive a certeza de que mudaria o mundo e hoje sou arrastada pelo mundo e suas regras em todas as áreas da minha vida, a gargalhada que solto hoje é sarcástica e infeliz, debocho de minha tristeza e fracassos, tenho procurado pela esperança mais não sei onde se compra e meus olhos estão desbotados e sem vida.
O tempo é impaciente e ele está me desafiando, ele não espera e nem perdoa ninguém, ele acrescenta, ele tira, também te forja e molda, o tempo ri na sua cara e também chora contigo, e agora ele espera minha reação, eu confesso, agora enquanto reflito escuto os urros do tempo e ele está berrando aos quatro ventos sobre minha covardia, eu escondo minha cabeça debaixo do meu edredom e me encolho enquanto ouço os seus grunhidos, prefiro olhar as paredes e ignorá-lo do que me levantar e responder com honra ao seu desafio, e estou adoecendo por isso, é frustante ter as armas nas mãos e não saber usá-las, é deprimente sentir medo do que não posso controlar e enquanto fico hesitando o tempo está ganhando.
Tenho tantos exemplos sobre ignorar o desafio do tempo, exemplos ruins e tristes de pessoas que tamparam seus ouvidos aos gritos dele e tiveram suas vidas dispersadas como um sopro, refletir sobre o tempo passado, olhar com sinceridade o meu tempo presente e temer o tempo futuro tem me consumido e me instigado a fazer diferente, olhar a minha volta e ver tantas pessoas com olhos desbotados e sem vida como os meus tem me alfinetado e está me forçado a levantar dessa cama e mostrar ao Tempo a que vim, admito que eu sou covarde mais não resisto a um desafio, o meu sangue está fervendo, o  tempo é o mesmo para todos, com o passar dele a minha percepção tem mudado e tenho me conscientizado de que a decisão é atitude pertence somente a mim, sinto que agora é a hora de agir e lutar com tudo que tenho, então, sem mais blábláblá informo minha decisão e concluo meu pensamento: Senhor Tempo, não hesitarei mais e aceito o seu desafio, vamos lutar! 

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