terça-feira, 20 de agosto de 2013

Ser fiel...





"Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei..." 
Mateus 25:23 [Parte]

A parte desse versículo está pautada na parábola dos talentos contada por Jesus, ele para ensinar ao povo e aos seus discípulos usava pequenas histórias com incríveis significados por trás, alguns acreditam que Jesus ao contar essa parábola estava se referido aos escribas que não usavam do ensino da palavra de Deus apropriadamente e que iriam prestar contas a Deus, outros que Jesus queria advertir e preparar os seus discípulos a dedicarem suas vidas ao reino de Deus mesmo depois que ele partisse, na história um homem ao decidir viajar e passar um tempo longe de seu país chama seus servos e lhe confia seus bens, divididos no caso em oito talentos [http://pt.wikipedia.org/wiki/Talento_(moeda)], a um ele deu cinco, a outro ele deu dois e a outro ele confiou um, eu tenho uma ideia particular e entendo que essa parábola não foi contada para explicar trabalho, dedicação, recompensa e castigo, mais sim para ressaltar a confiança, esperança, gratidão, honra e fé, aqueles homens eram servos e servos eram escravos, sem salário, carteira assinada, 13º e férias, eles viviam toda a sua vida dedicada ao seu senhor, homens sem status, nome, bens, talvez filhos de servos e vendo sua linhagem continuando como servos, o senhor da parábola era bem sucedido e confiou a eles quase 485 kilos de ouro (pelos dados da wikipédia), 01 grama de ouro hoje está valendo R$ 105,60 multiplicados por 485.000 é igual a R$ 512.160,00, hoje esse valor é considerável, imagina naquela época? Uma fortuna na mãos de desafortunados, uma riqueza que talvez eles nunca teriam em toda uma vida de trabalho.
Lendo o texto eu conjecturo que aquele senhor acreditou naqueles homens e dois deles compreenderam e se sentiram gratos, eles se dedicaram e se empenharam a fazer além do que lhes foi pedido por puro amor e gratidão, o seu senhor talvez ao sair em viagem não marcou uma data de retorno, no texto ele apenas foi embora e só retornou depois de passado algum tempo, aqueles homens poderiam ter sumido no mundo com esse tesouro, mas, eles não escolheram isso, quando tudo era favorável a talvez uma mudança de vida eles com o coração grato pela confiança de seu mestre esperaram trabalhando o dia de seu retorno, e aquele senhor da mesma maneira manteve a fé em seus serviçais. Ele os conhecia muito bem e dividiu de acordo com a capacidade de cada um, ele acreditou na integridade deles e não fez exigências e por isso, ao retornar e ver sua fortuna dobrada o seu coração se alegrou, e ele decidiu também recompensá-los com o melhor que ele tinha, então os convidou a partilhar de seu próprio regozijo, aquele senhor os honrou dando a si mesmo para eles, acho que isso soa uma pouco estranho devido a nossa cultura desregrada hoje, mas, historicamente, um senhor rico honrando a um servo partilhando de seu vinho e mesa, dando-lhes um banquete era a maior das honras, porque isso representava o reconhecimento e o mérito da integridade e valor de um homem, no passado não era o que um homem possuía que o tornava bom, mas, o que ele fazia que o tornava louvável ou não, nenhum dos lados pediu nada e ambos abençoaram uns aos outros com amor, gratidão e honra. Ao servo que temeu e enterrou o talento, ele não viu outra alternativa senão castigá-lo, pois, aquele servo apesar de conhecer muito bem a rigidez de seu senhor foi incapaz de aceitar com alegria e gratidão a confiança e fé nele depositado, ele se conhecia e conhecia seu senhor e não acreditava  e entendia nenhum dos dois, por isso foi castigado por sua covardia.
Essa parábola é muito conhecida e difundida, já ouvi muitas explicações e aplicações para minha vida sobre ela, porém, esses dias ouvi algo novo para mim, ouvi esses talentos sendo comparados não a dons ou bens mais sim, a itens corriqueiros da vida, como por exemplo sorrisos, amigos, família, tempo, amor e outras coisas tão necessárias a nós, vamos dizer assim de maneira mais clara, imagine Deus te confiando a uma vida escassa de sorrisos e regada de amargura e lágrimas, você se manteria fiel a Ele nessa pouca alegria? Ou a uma família problemática e encrenqueira, você correria e insistiria em transformá-la em benção ou na primeira oportunidade a esconderia em algum buraco? Ou se fosse uma vida limitada de amizades verdadeiras, você ainda assim se sentiria grato e decidiria ser um bom amigo mesmo rodeado de falsidade? Ou se sua vida fosse de muito trabalho e o seu tempo fosse escasso, você se preocuparia a separar diariamente um pouco do seu pouco tempo para Deus? E se você se tornasse endurecido por tantas feridas no coração e tivesse dificuldades de viver e experienciar o amor verdadeiro em toda a sua totalidade, será que mesmo assim você escolheria cultivar o amor no seu coração?
Na parábola o senhor diz: "Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei...", para os servos o que lhes foi confiado era muito, para o senhor o que ele confiou era pouco, a percepção de  valores era diferente entre eles, e não é assim também conosco? O que desejo em meu coração é muita coisa mais para Deus não é nada, seja riqueza, saúde, amor, felicidade, paz tudo isso foi criado por suas mãos e Ele dá sem jogar no nosso rosto, o que nós seres humanos mais precisamos e desejamos flui de Deus como um rio e é de graça, isso que muitos não entendem, acham que Deus dá conforme você trabalha e se abstém para Ele e na realidade o que Deus quer conosco transcende a crueldade da carne humana, Deus dá sem pedir nada em troca e Ele se alegra quando entendemos a confiança e credibilidade que Ele deposita em nós e se contenta com nosso amor e gratidão,  Ele dá de graça e espera receber de graça. Hoje o que é importante já não importa mais, e o que não importa é o que as pessoas mais correm atrás para ter, afirmo que uma vida triste ainda é uma vida, uma família problemática ainda é uma família, amigos falsos não contagiam com a sua falsidade, sempre temos um tempo e o amor apenas flui onde lhe é permitido, o que para mim é muito para outro é pouco e assim vice e versa, mas, o valor de algumas coisas são inegáveis e imutáveis.
A vida não é fácil para ninguém, cada um recebeu algum talento em pesos de acordo com a capacidade de seus braços, para alguns é mais leve, para outros é muito pesado, são situações que recebemos e vivemos sem escolha e que nos forçam todos os dias a fazer escolhas, qual é escolha que eu ou você tem feito? Me vi meditando nisso e me perguntando: Será que olhamos com gratidão tudo que recebemos d'Ele e estamos empenhados a transformar o pouco em uma riqueza dobrada? Ou será que reclamamos, desprezamos, tememos,  nos acovardamos e ocultamos o que nos foi confiado? Nas minhas batalhas tenho sido confrontada pelo peso de minha vida, as vezes acho que o que tenho em minhas mãos é pouco ou até quase nada, outras vezes acho que é muito e até exagerado, e discorrendo sobre o muito e o pouco eu perco tempo resmungando e reclamando enquanto cavo buracos e enterro o que me foi confiado e passeando por esse texto e recebendo essa revelação dentro da palavra de Deus escolho ser fiel, independente de minha percepção de valores,  ser fiel sobre o muito ou o pouco de minha vida reconhecendo o verdadeiro valor de tudo o que me foi confiado por Deus, mais uma vez estou tendo a oportunidade de aprender a ser grata, amar e honrar ao meu Deus investindo e aplicando no reino d'Ele e tenho visto a multiplicação do talento confiado a mim, eu não mereço e recebi, de novo estou sendo agarrada pela Graça de Deus e estou aprendendo a valorizar isso.
Um dia precisarei prestar contas de tudo, e você? O que tem escolhido? Não reclame ou murmure de sua vida, não a enterre e nem a desperdice, independente de como seja sua vida escolha ser fiel no seu pouco ou muito, o que Deus te deu é precioso e nenhuma fortuna do mundo pode comprar, Deus quer nos honrar não com bens materiais ou elogios vazios que são esquecidos 5 minutos depois de terem sido ditos, Deus nos dá a si mesmo e Ele quer nos honrar não com o que acreditamos que somos mais com o que Ele vê quando olha para nós, como aquele senhor desapegado de suas riquezas confiou seus bens a humildes servos e como aqueles simples homens que receberam aquela responsabilidade sem queixas mais desapegados de sua real condição foram gratos e obedientes e se empenharam a multiplicar talento por talento, Deus deseja se alegrar conosco dando tudo de si e recebendo tudo de nós porque o dobro é o melhor para ambos.

Pense nisso!


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